ODS 18

Antecedentes

Tendayi Achiume, relatora especial para a igualdade racial © Eskinder Debebe/UN

Atualmente o eixo estruturador do desenvolvimento está galvanizado na Agenda 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Contudo, sempre houve uma crítica sobre a ausência de objetivos e metas que focassem na superação do racismo e da discriminação étnico-racial, fenômenos estruturantes das desigualdades sociais em diversos países do mundo. A Relatora Especial sobre as Formas Contemporâneas de Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância da ONU,

Não à toa, já estamos no oitavo ano de sua implementação e o relatório de avaliação de progresso da Agenda 2030 de 2024 revela que o mundo está longe de alcançar a Agenda 2030. Das 135 metas, apenas 17% estão progredindo conforme esperado até 2030. Quase metade (48%) apresenta desvios, moderados a graves, da trajetória desejada, com 30% mostrando progresso marginal e 18% indicando progresso moderado. De forma alarmante, 18% estagnaram e 17% regrediram abaixo dos níveis de base de 2015.

A discriminação étnico-racial e o racismo estruturam as desigualdades da grande maioria dos países no mundo, afetando grupos sociais historicamente vulnerabilizados, atingindo desproporcionalmente as mulheres, e nesse sentido, nenhuma agenda séria de desenvolvimento, meio ambiente, mudança climática e direitos humanos não pode prescindir do compromisso com a justiça étnico-racial.

No caso brasileiro, dentro da normalidade institucional da sociedade, o pertencimento étnico-racial e de gênero definem relações distintas de mulheres e homens negros e indígenas para o acesso, gozo e fruição de necessidades básicas do desenvolvimento. Não obstante os avanços ocorridos nas últimas décadas, as desigualdades raciais seguem organizando a sociedade brasileira e mantendo a população negra e os povos indígenas à margem dos processos de desenvolvimento.

Fotografia: Paulo Pinto/Agência Brasil

O mito de que o Brasil vive sob o manto de uma democracia racial solapa as possibilidades de superação do racismo que se institucionalizou em vários setores do país e as desigualdades no Brasil continuam tendo cor. As pessoas negras representam 55,5% da população brasileira. Embora sejam uma maioria populacional, são uma Maioria Minorizada no que se refere a acesso e fruição de direitos e políticas públicas para uma vida digna.