Profa. Maria do Carmo Rebouças representa UNEGRO e Observatório ODS 18 da UFSB em principal espaço da ONU para negociação da futura Declaração sobre os direitos das pessoas afrodescendentes

Sessão marca etapa estratégica do processo de negociação da futura Declaração das Nações Unidas sobre os direitos das pessoas afrodescendentes.

Nesta segunda-feira (02/02) teve início a 25ª sessão do Grupo de Trabalho Intergovernamental sobre a Implementação Efetiva da Declaração e do Programa de Ação de Durban, no Palais des Nations, em Genebra (Suíça). A Profa. Dra. Maria do Carmo Rebouças participou da sessão de abertura, representando a União de Negras e Negros pela Igualdade (UNEGRO) e o Observatório da Igualdade Étnico-Racial – ODS 18 da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

Criado pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, o Grupo de Trabalho Intergovernamental é o mecanismo responsável por acompanhar e promover a implementação da Declaração e do Programa de Ação de Durban, adotados em 2001 como o mais abrangente marco internacional de enfrentamento ao racismo, à discriminação racial, à xenofobia e às formas correlatas de intolerância. Entre suas atribuições estão a avaliação de avanços e lacunas na implementação desses compromissos pelos Estados, a identificação de obstáculos persistentes e a apresentação de recomendações ao Conselho de Direitos Humanos e à Assembleia Geral da ONU.

Desde 2022, o Grupo de Trabalho passou a dedicar parte central de suas sessões ao processo de negociação da futura Declaração das Nações Unidas sobre os direitos das pessoas afrodescendentes, iniciativa que busca fortalecer o arcabouço normativo internacional, enfrentar o racismo sistêmico e avançar em agendas de justiça, igualdade e reparação histórica.

Em sua intervenção, a professora destacou a relevância histórica do momento, marcado pela aproximação dos 25 anos da Declaração e do Programa de Ação de Durban, em consonância com a vigência da Segunda Década Internacional das Pessoas Afrodescendentes. Além de relembrar que a Declaração de Durban reconheceu a escravidão e o tráfico transatlântico de pessoas africanas como crimes contra a humanidade, cujos impactos seguem estruturando desigualdades contemporâneas.

Do Carmo destacou, que ainda que passado 25 anos da Declaração pessoas afrodescendentes continuam enfrentando níveis desproporcionais de pobreza, violência, exclusão política, invisibilidade epistemológica e barreiras ao pleno exercício dos direitos humanos.

Ao encerrar sua fala, a representante da UNEGRO e do Observatório ODS 18 da UFSB afirmou que honrar Durban significa concluir sua agenda inacabada e que honrar a Segunda Década Internacional exige a entrega de resultados concretos. Para a professora, avançar na negociação da futura Declaração é condição fundamental para que o enfrentamento ao racismo se traduza em transformações estruturais duradouras, capazes de promover igualdade substantiva, justiça racial e democracias verdadeiramente inclusivas.

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