Geledés lidera a criação do Stakeholder Group de Afrodescendentes na ONU

Por Pedro Henrique Monteiro *

A organização não governamental Geledés – Instituto da Mulher Negra foi uma das responsáveis pela criação do Stakeholder Group de Afrodescendentes no sistema das Nações Unidas (ONU), um marco histórico para a luta antirracista global anunciado recentemente.

A decisão foi comunicada pelo Mecanismo de Coordenação dos Grandes Grupos e Demais Partes Interessadas da ONU (MGOS CM), órgão que coordena a participação de grupos da sociedade civil em processos multilaterais da organização.

A ONG Geledés, protagonista neste processo, realizou uma intensa articulação desde setembro de 2023, quando organizou o evento “Não há desenvolvimento sustentável sem enfrentar o racismo”, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

A criação do Grupo de Afrodescendentes amplia o reconhecimento de identidades historicamente marginalizadas e fortalece a luta global por igualdade racial e justiça reparatória. O novo grupo passa a integrar oficialmente a estrutura dos MGOS, mecanismo de articulação criado na Rio-92 para garantir a participação da sociedade civil na formulação e implementação de políticas globais.

Originalmente, foram criados grupos para mulheres, crianças e jovens, pessoas indígenas, ONGs, autoridades locais, trabalhadores e sindicatos, negócios e indústria, e a comunidade científica e tecnológica. Posteriormente, foram criados grupos para pessoas com deficiência, pessoas idosas, LGBTQIA+, comunidade de migrantes, cooperativas e, agora, para as pessoas afrodescendentes.

Participação histórica do Brasil e da Diáspora africana

A ONG Geledés mobilizou organizações afrodescendentes de diversas regiões do mundo em defesa da criação de um espaço próprio no sistema ONU. “Temos atuado em diferentes grupos principais, como o das mulheres, o das ONGs e o das crianças e jovens, sempre visando integrar a pauta racial a esses espaços. Essa trajetória, liderada e legitimada pela sociedade civil, culminou na criação de um grupo próprio para as pessoas afrodescendentes”, afirmou Letícia Leobet, assessora internacional de Geledés.

A organização brasileira também teve presença destacada em eventos estratégicos, como o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF), em julho de 2024, e a Cúpula do Futuro, em setembro. Em ambas atividades, Geledés reforçou a importância de um mecanismo voltado especificamente para os interesses e realidades da população afrodescendente nas agendas globais.

Com o reconhecimento oficial, o Grupo de Afrodescendentes terá voz nos processos de monitoramento e implementação de políticas públicas e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), além de atuar em espaços como o Fórum Político de Alto Nível e a Cúpula do Futuro. A iniciativa também abre caminho para fortalecer a articulação internacional para a Segunda Década Internacional dos Afrodescendentes (2025–2034), ampliando sua agenda para além do campo dos direitos humanos e inserindo-a com centralidade nas discussões sobre o desenvolvimento sustentável.

Fonte:
https://www.geledes.org.br/geledes-advocacy-at-the-un-leads-to-the-creation-of-the-afrodescendant-stakeholder-group/

* Pesquisador do Observatório ODS 18 e mestrando em Direito Internacional dos Direitos Humanos pela Universidade de Sussex.

 

Respostas de 3

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